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Assistência técnica: a peça é do estado, o serviço é da prefeitura

Quando o cliente traz um aparelho para consertar, acontecem duas coisas: alguém trabalha e alguém fornece peça. O trabalho é assunto da prefeitura; a peça é assunto do estado. Não é o dono que escolhe — a lei já separou.

Ver como a OS vira nota Tirar uma dúvida

Um conserto, dois governos

Um aparelho chega com defeito. O orçamento fecha em duzentos reais: parte é a peça que vai ser trocada, parte é o trabalho de quem vai trocar. Valores de exemplo, para enxergar a divisão — o formato é o que importa.

O mesmo orçamento, repartido entre quem cobra o quê

R$ 80 em peça R$ 120 em serviço

A peça responde ao estado, o serviço responde ao município. Se tudo virar serviço, falta o imposto da mercadoria; se tudo virar mercadoria, falta o imposto do trabalho.

O erro quase nunca é de má-fé. É jogar tudo numa nota só, do jeito que for mais fácil no sistema — e o jeito mais fácil é o que ninguém programou para essa conta.

É por isso que assistência técnica é um dos negócios em que o documento dá mais trabalho do que o conserto. A boa notícia é que a divisão é conhecida e cabe numa rotina.

O caminho do aparelho e a divisão dos impostos

Duas tabelas para deixar a rotina visível: por onde o aparelho passa e qual documento acompanha cada passo, e o que pertence a cada esfera.

Do balcão à devolução, passo a passo

A ordem de serviço é o fio que costura tudo. Cada etapa dela pede um documento diferente — ou nenhum.

EtapaO que aconteceDocumento
Entrada do aparelhoO cliente deixa o equipamento para consertoNota de remessa para conserto, sem destaque de imposto
Quem emite essa nota de entradaDepende de quem é o clienteO cliente, se for contribuinte de ICMS; se não for, a própria assistência
OrçamentoDiagnóstico e aprovação do clienteNenhum documento fiscal ainda
Peça aplicadaA mercadoria é fornecida e instaladaNota fiscal das partes e peças
Mão de obraO trabalho de reparo em siNota fiscal de serviço
Devolução ao clienteO aparelho volta consertadoDocumentação de retorno, conforme a operação

Quem cobra o quê

A separação não é escolha comercial. Ela vem da natureza da operação, e por isso vale para qualquer assistência.

O que éDe quem é o impostoOnde isso está previsto
O trabalho de manutenção e reparoMunicípio (ISS)Subitem 14.01 da lista anexa à Lei Complementar 116/2003
A peça fornecida e aplicadaEstado (ICMS)Entendimento consolidado em respostas de consulta estaduais
Serviço prestado sem fornecer peçaSó o municípioNão há mercadoria na operação
A remessa do aparelho para consertoOperação sem destaque de impostoCódigos próprios de remessa para conserto

Quatro tropeços de quem conserta para viver

Todos nascem da mesma raiz: a operação é uma só na cabeça de quem trabalha, e são duas na cabeça do fisco.

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Jogar peça e serviço numa nota só

É o caminho mais rápido no balcão e o mais caro depois. Se tudo sai como serviço, a mercadoria fornecida ficou sem o imposto do estado. Se tudo sai como mercadoria, o trabalho ficou sem o imposto do município. Nos dois casos falta de um lado e sobra do outro.

Separar os dois na hora de faturar, mesmo quando o cliente recebe um valor único no orçamento. O que ele vê pode ser um total; o que sai em documento são duas coisas.
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Receber o aparelho sem documento de entrada

O equipamento fica dias ou semanas na sua bancada, e ele não é seu. Sem o documento de remessa para conserto, não há registro de que aquele bem entrou para reparo — o que é um problema de fiscalização e também um problema civil, se algo acontecer com o aparelho.

Emitir a entrada no momento em que o aparelho chega, lembrando que quem emite depende de o cliente ser ou não contribuinte.
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Tratar peça de garantia como venda comum

Conserto em garantia tem lógica própria: quem paga não é quem recebe o aparelho de volta, e a peça costuma vir do fabricante ou ser reembolsada por ele. Faturar isso como uma venda qualquer embaralha o estoque e a apuração.

Registrar a garantia como operação separada, com a orientação da contabilidade sobre como ela se documenta no seu caso.
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Controlar a OS num lugar e a nota em outro

A ordem de serviço vive num caderno, numa planilha ou num aplicativo de anotação, e a nota é digitada depois, em outro sistema, por outra pessoa. É aí que nasce o erro: valor que não bate, peça que saiu do estoque e não foi faturada, serviço faturado sem a peça correspondente.

Fazer os documentos saírem da própria OS, sem redigitar. O que foi orçado e aprovado já tem toda a informação necessária.

Por que a mesma ordem de serviço gera dois documentos

Do ponto de vista de quem conserta, existe um evento só: entrou um aparelho quebrado, saiu um aparelho funcionando. Do ponto de vista tributário, existem duas operações distintas dentro desse evento, e cada uma pertence a um ente diferente.

O trabalho de manutenção e reparo está na lista de serviços sujeitos ao imposto municipal — é o subitem 14.01 da lista anexa à Lei Complementar 116/2003, que fala justamente de manutenção, montagem e reparação. Quem cobra isso é a prefeitura.

A peça é outra história. Ela é mercadoria: foi comprada, entrou no estoque, saiu do estoque e foi entregue ao cliente aplicada no aparelho dele. Mercadoria que circula é assunto do estado, e o entendimento consolidado em respostas de consulta estaduais é que a peça aplicada em bem de usuário final carrega o imposto estadual mesmo quando o serviço está no imposto municipal.

Não é o dono que escolhe onde cada parte se encaixa. A separação vem da natureza da operação, e ela é a mesma em qualquer assistência do país.

O que varia — e varia bastante — é o detalhe municipal: a alíquota do serviço, o código a usar, as obrigações acessórias. Isso é conversa com a prefeitura e com a contabilidade, porque cada município tem a sua lei.

Quando não há peça nenhuma

Nem todo conserto envolve troca. Limpeza, regulagem, atualização, diagnóstico que se resolve com ajuste — há muito serviço que não consome nada do estoque.

Nesses casos a operação é mais simples do que parece: sem mercadoria, não há operação de mercadoria. O que existe é serviço, e o serviço fica onde o serviço fica.

Vale prestar atenção quando o caso é de fronteira. Um insumo consumido no processo, que não fica no aparelho e não é cobrado do cliente como item, é diferente de uma peça fornecida e destacada no orçamento. A pergunta útil é se aquilo foi vendido ao cliente ou apenas usado no trabalho.

Quando a resposta não for evidente, ela não deve ser resolvida no balcão pelo critério do que é mais fácil de faturar. É o tipo de dúvida que se leva à contabilidade uma vez e se resolve para sempre, porque ela vai se repetir todo mês.

O aparelho que fica na sua bancada não é seu

Essa é a parte que mais passa despercebida em assistência pequena. Entre a entrada e a devolução, você está guardando um bem de outra pessoa, às vezes por semanas, e isso precisa estar documentado.

A entrada se dá por uma nota de remessa para conserto, que não é uma venda e por isso não leva destaque de imposto — ela existe para registrar que aquele equipamento está ali por um motivo específico e vai voltar.

Quem emite essa nota depende de quem é o cliente. Se ele for contribuinte do imposto estadual, é ele quem emite a remessa. Se não for — e a maioria dos clientes de balcão não é —, a própria assistência emite ao receber o aparelho.

O benefício disso vai além do fiscal. Documento de entrada é o que descreve o estado em que o aparelho chegou, o que o cliente relatou e o que foi combinado. Quando surge divergência sobre um arranhão ou sobre o que estava incluído no orçamento, é esse registro que resolve a conversa.

Por que juntar tudo numa nota é tão tentador

Ninguém junta peça e serviço por querer errar. Junta porque o balcão tem pressa, o cliente quer um número só, e o sistema disponível costuma tratar a operação como uma venda comum.

Some-se a isso que o cliente final raramente se importa com a divisão. Ele quer saber quanto custa consertar. A separação é uma exigência que nasce depois da conversa comercial, e por isso vira uma etapa burocrática na cabeça de quem atende.

O problema é que essa etapa não é opcional, e o custo dela não aparece no dia. Aparece na apuração do mês, na conferência do contador, ou numa fiscalização — sempre longe do balcão onde a decisão foi tomada.

A saída não é cobrar mais disciplina de quem atende. É fazer com que o caminho fácil já seja o caminho certo: se o orçamento é montado separando peça de serviço, o documento sai separado sem ninguém precisar lembrar.

O que é seu e o que é da contabilidade

A divisão geral — trabalho no município, peça no estado — vale para todo mundo e dá para entender de uma vez. Mas quase todo detalhe prático depende de onde a sua assistência está e do que ela faz.

A alíquota do serviço é lei municipal e varia de cidade para cidade. O tratamento das peças pode envolver regimes específicos conforme o produto. E há situações que fogem do padrão — garantia, peça enviada pelo fabricante, conserto de bem que não pertence a consumidor final —, cada uma com a sua leitura.

Por isso este post não crava número nenhum, e não deveria mesmo. O que ele entrega é o mapa: quais são as duas operações, o que acompanha o aparelho na entrada, e onde estão as perguntas que valem levar à contabilidade.

A regra de que a peça carrega imposto estadual vale para conserto de bem de usuário final. Peça destinada a revenda ou a industrialização segue outro caminho, e essa distinção muda a resposta.

Levar as perguntas certas uma vez, no começo, custa uma reunião. Descobrir a resposta errada depois de dois anos faturando custa bem mais do que isso.

O que o sistema resolve numa assistência

O argumento aqui não é emitir os dois documentos. É a mesma ordem de serviço gerar os dois, sem ninguém digitar a mesma informação duas vezes.

  • A OS como origem de tudoO que foi orçado e aprovado vira documento sem redigitação — peça de um lado, serviço do outro.
  • Entrada do aparelho registradaA remessa para conserto sai no momento em que o equipamento chega, com o relato e o estado dele.
  • Peça baixada do estoque na aplicaçãoO que saiu da prateleira e foi para o aparelho some do saldo no mesmo movimento em que é faturado.
  • Cada operação com o documento certoServiço, peça e as situações que misturam os dois seguem o caminho próprio sem depender de alguém lembrar.
  • Garantia tratada à parteConserto em garantia não se confunde com venda, e o histórico do aparelho fica registrado.
  • Histórico por equipamento e por clienteDá para ver o que já foi feito naquele aparelho, o que foi trocado e quando — inclusive quando ele volta.

Perguntas frequentes

Peça e serviço podem sair na mesma nota?

São duas operações de esferas diferentes: o trabalho responde ao município e a peça fornecida responde ao estado. Na prática, isso significa documentos próprios para cada parte. O cliente pode receber um orçamento com valor único; o que sai em documento é separado.

E quando o conserto não tem troca de peça?

Aí existe só a prestação de serviço, e não há operação de mercadoria envolvida. É o caso de limpeza, regulagem e diagnóstico resolvido com ajuste.

Preciso emitir nota quando o cliente deixa o aparelho?

A entrada do equipamento para reparo se documenta com uma nota de remessa para conserto, sem destaque de imposto. Se o cliente for contribuinte do imposto estadual, é ele quem emite; se não for, a própria assistência emite ao receber.

Qual é a alíquota do serviço?

Isso é lei de cada município e varia de cidade para cidade, então não dá para afirmar por fora. É pergunta para a prefeitura onde a sua assistência está e para a sua contabilidade.

A peça sempre carrega imposto estadual?

A regra descrita aqui vale para peça aplicada em conserto de bem de usuário final. Peça destinada a revenda ou a industrialização segue outro caminho, e há situações específicas que mudam a resposta — por isso o caso concreto se confirma com a contabilidade.

Como fica o conserto em garantia?

Tem lógica própria, porque quem paga não é quem recebe o aparelho de volta e a peça costuma vir do fabricante ou ser reembolsada por ele. Vale tratar como operação separada e confirmar com a contabilidade como documentar no seu caso.

Por que não posso simplificar e faturar tudo como serviço?

Porque a mercadoria fornecida ficaria sem o imposto que é do estado. O contrário também vale: faturar tudo como mercadoria deixa o trabalho sem o imposto que é do município. Nos dois casos falta de um lado e sobra do outro, e a correção depois é mais trabalhosa do que separar na hora.

Faça a ordem de serviço trabalhar por você

Se o orçamento já nasce separando peça e serviço, o documento sai certo sem ninguém precisar lembrar. Fale com a Nox e veja como a OS da sua assistência vira nota sem digitar nada duas vezes.

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