O que são custo médio, PEPS e UEPS, em poucas linhas
São três maneiras de responder a uma mesma pergunta: quando a loja vende uma unidade de um produto que foi comprado várias vezes, em datas diferentes e por preços diferentes, qual custo sai junto com essa venda e qual custo fica no estoque que sobrou.
No custo médio ponderado, cada entrada se mistura com o saldo existente e o custo unitário passa a ser a média ponderada pela quantidade. No PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), a venda baixa primeiro o custo dos lotes mais antigos, e o estoque final fica com os custos das compras mais recentes. No UEPS (último que entra, primeiro que sai), acontece o contrário: a venda baixa o custo das compras mais recentes, e o estoque final fica com os custos antigos.
Para a escrituração das empresas no Brasil, a legislação do Imposto de Renda admite avaliar o estoque pelo custo médio ou pelo custo das aquisições mais recentes, que corresponde ao PEPS (Decreto-Lei 1.598/1977, reproduzido no Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 9.580/2018). O UEPS não é aceito para fins fiscais, entendimento firmado pela Receita no Parecer Normativo CST nº 6/1979, e a norma contábil de estoques (Pronunciamento Técnico CPC 16) também não o permite. Por isso o UEPS aparece aqui como conceito, para o leitor entender a comparação, e não como opção para a loja.
A escolha entre custo médio e PEPS, e a forma de aplicá-la, é decisão da contabilidade da empresa. O papel da loja é entregar entradas completas, na ordem certa e com as quantidades certas, para que o método escolhido produza um número confiável.
O preço da última compra não é o custo do que está na prateleira
Este é o contraste que costuma confundir o dono: a nota que acabou de chegar mostra um preço unitário, e é esse número que fica na cabeça na hora de remarcar, negociar ou decidir se um produto dá resultado. Só que a prateleira guarda unidades de várias compras. O custo que vai para o resultado do mês e para o valor do estoque no balanço é o calculado pelo método adotado, não o preço da última nota.
Quando os dois lados não batem, a consequência aparece em lugares diferentes. Na formação de preço, quem usa a última compra como referência pode remarcar para cima ou para baixo sem que o custo real do saldo justifique. No resultado, o custo da mercadoria vendida informado à contabilidade passa a depender de lançamentos manuais e de memória. No inventário, o valor do estoque contado não conversa com o valor registrado, e a diferença vira investigação.
Há também o lado do contador. O custo das mercadorias vendidas e o valor do estoque final entram na apuração do resultado da empresa e, conforme o regime tributário, na base de tributos sobre o lucro. Se as entradas chegam incompletas, fora de ordem ou com unidade de medida trocada, o método escolhido é aplicado sobre dados errados, e o retrabalho cai no fechamento.
Por isso o tema não é só contábil. Ele começa no recebimento da mercadoria, passa pelo cadastro do produto e termina no relatório que a gestão consulta para decidir compra e preço.
Um exemplo do começo ao fim: o mesmo produto, três entradas no mês
Exemplo ilustrativo
Loja de utilidades domésticas que recebe o mesmo modelo de garrafa térmica três vezes no mês
- Quem compra: uma loja de utilidades domésticas com uma única unidade
- Quem vende: dois fornecedores, um do mesmo estado e um de outra UF
- Operação analisada: compras para revenda e vendas ao consumidor final ao longo do mês
- Regime tributário: informado à contabilidade, que define o método de custo e o tratamento dos tributos na compra
- Método de custo: ainda não definido formalmente; o dono usa o preço da última nota como referência
- Exemplo ilustrativo, sem valores: o que importa aqui é a tarefa, não a conta
No início do mês a loja tem saldo da garrafa térmica vindo de compras antigas. Na primeira semana chega uma nova compra do fornecedor do mesmo estado. Na terceira semana chega outra, do fornecedor de outra UF, com preço unitário diferente e com o frete cobrado por uma transportadora, em documento separado. No fim do mês o primeiro fornecedor manda uma terceira entrada que inclui algumas unidades em bonificação.
Entre uma entrada e outra a loja vende. O dono olha a nota da terceira semana, vê o preço unitário e conclui que aquele é o custo do produto. A contabilidade, no fechamento, pede o custo das vendas do mês e o valor do estoque final, e a pergunta que surge é: qual custo foi usado em cada venda, e qual ficou no saldo?
A loja decide organizar a rotina antes de discutir números. Separa os documentos, confere as quantidades, coloca tudo em ordem de data e leva as dúvidas para a contabilidade. Só depois da validação o custo passa a ser registrado de forma padronizada.
- O que veio dos fornecedores
Três XMLs de NF-e de compra, cada um com quantidade, unidade de medida, valor dos itens, descontos e tributos destacados, e um documento de transporte referente ao frete da segunda compra. A equipe guarda os XMLs, não só o DANFE impresso.
- O que já existia no cadastro
O produto já estava cadastrado, com saldo e um custo registrado. A equipe confere se a unidade de compra dos três fornecedores é a mesma da unidade de venda: um vende por unidade, o outro fatura por caixa fechada.
- O que precisa de validação
Se o frete pago à transportadora entra no custo do produto; como tratar as unidades bonificadas; quais tributos da compra são recuperáveis no regime da loja e, por isso, ficam fora do custo; e qual método a empresa adota, custo médio ou PEPS.
- Quem decide cada ponto
A contabilidade define o método, o tratamento do frete, da bonificação e dos tributos. O dono confirma as informações da operação: quem pagou o frete, o que foi combinado com o fornecedor sobre a bonificação, quando a mercadoria chegou de fato.
- O que vai para o sistema
As entradas são lançadas pelo XML, na ordem em que a mercadoria chegou, com a conversão de caixa para unidade conferida. O custo passa a ser atualizado conforme a regra validada, em vez de digitado à mão a partir da última nota.
- Como conferir e o que guardar
No fim do mês, a equipe compara o saldo do sistema com uma contagem do produto e confere se o custo registrado é coerente com as entradas. Guarda os XMLs, o documento do frete, a orientação da contabilidade por escrito e a data em que a regra passou a valer.
O que conferir em cada entrada para o custo sair certo
Qualquer que seja o método escolhido pela contabilidade, ele depende das mesmas informações de entrada. Se uma delas falha, o custo médio fica distorcido e a fila de lotes do PEPS fica fora de ordem.
| Dado ou documento | Onde está | Para que serve no custo |
|---|---|---|
| Quantidade e unidade de medida | Itens do XML da NF-e e cadastro do produto | Evitar que uma caixa entre como uma unidade, o que distorce o custo unitário |
| Valor dos itens e descontos | Itens e totais do XML | Formar o custo de aquisição a partir do que foi efetivamente cobrado |
| Frete, seguro e outras despesas | XML da compra ou documento de transporte separado | Avaliar com a contabilidade o que integra o custo da mercadoria |
| Tributos destacados | Grupo de impostos do XML | Separar, conforme o regime, o que é recuperável e fica fora do custo do que não é |
| Data de entrada da mercadoria | Recebimento físico e lançamento no sistema | Manter a ordem cronológica, essencial para o custo médio e para o PEPS |
| Bonificações e brindes | Itens identificados na nota | Decidir com a contabilidade como as unidades sem cobrança afetam o custo |
| Devoluções ao fornecedor | NF-e de devolução | Retirar do saldo e do custo o que voltou, pelo mesmo critério da entrada |
Como cada método se comporta quando o preço de compra muda
Imagine o mesmo produto sendo comprado em sequência, com o preço unitário subindo a cada nova entrada. No custo médio, cada compra mais cara puxa a média para cima, mas de forma gradual, porque se mistura ao saldo antigo. A venda leva um custo intermediário, e o estoque final também.
No PEPS, as vendas consomem primeiro os lotes antigos, mais baratos nesse cenário. O custo das vendas fica mais próximo das compras antigas e o estoque final fica valorizado pelas compras recentes. Se o preço estivesse caindo, o efeito seria o inverso.
O UEPS faria a venda levar o custo das compras mais recentes e deixaria no estoque os custos antigos, que podem ficar muito distantes do valor atual da mercadoria. Essa distância é um dos motivos pelos quais a norma contábil de estoques não o aceita, e a legislação do Imposto de Renda também não o admite para a avaliação do estoque.
Repare que nenhum dos métodos muda a quantidade vendida nem o dinheiro que entrou no caixa. O que muda é como o custo se distribui entre o resultado do período e o estoque que fica. Por isso a troca de método não é ajuste para melhorar o resultado do mês: ela altera a comparação entre períodos e precisa ser decidida e registrada pela contabilidade.
Para a gestão do dia a dia, a leitura útil é outra: o custo registrado conversa com as compras recentes ou ficou parado no tempo? Se o produto foi comprado várias vezes e o custo no cadastro nunca mudou, o problema não está no método, está no lançamento das entradas.
O que está acima trata da avaliação do estoque de mercadorias para revenda no comércio. A forma como o custo afeta tributos sobre o lucro depende do regime da empresa: no lucro real o efeito é direto na apuração; no lucro presumido e no Simples Nacional a base é calculada de outro modo, mas o estoque continua precisando ser avaliado e informado. Indústria, custo de produção e regimes especiais seguem regras próprias. O caso concreto da sua empresa deve ser validado pela contabilidade.
Quem faz o quê na apuração do custo
O método é uma decisão técnica, mas o número que ele produz nasce na rotina da loja. Cada parte tem uma responsabilidade diferente, e o sistema não substitui nenhuma delas.
| Responsável | Participação no processo |
|---|---|
| Empresa | Receber a mercadoria, guardar os XMLs e documentos de frete, informar bonificações, devoluções e acordos com fornecedores, e manter as entradas em dia e na ordem certa |
| Contabilidade ou responsável fiscal | Definir o método de avaliação (custo médio ou PEPS), orientar o que entra no custo de aquisição, tratar tributos recuperáveis e validar o estoque no fechamento |
| Fornecedor do ERP | Explicar como o sistema registra o custo nas entradas, apoiar a configuração definida na implantação e orientar a equipe no uso |
| Equipe que opera o sistema | Lançar as entradas pelo documento fiscal, conferir unidade de medida e quantidade, sinalizar divergências e participar das contagens de estoque |
Erros e sinais de que o custo não está confiável
Os pontos abaixo não dependem do método escolhido. Qualquer um deles faz o custo registrado se afastar do custo real do saldo.
O custo do produto é digitado à mão com o preço da última nota
O custo do cadastro deixa de refletir o saldo e passa a mudar conforme quem lançou e quando
Primeira açãoCombinar com a contabilidade a regra de custo e passar a registrar o custo a partir das entradas pelo XMLA compra vem por caixa e o produto é vendido por unidade, sem conversão conferida
O custo unitário fica multiplicado ou dividido de forma errada e o saldo de estoque não bate com a prateleira
Primeira açãoConferir a unidade de compra de cada fornecedor no cadastro antes de lançar a entradaO frete chega em documento separado e não é considerado
O custo de aquisição fica incompleto quando a contabilidade entende que o frete o integra
Primeira açãoGuardar o documento do frete junto da compra e levar à contabilidade o critério de inclusãoEntradas lançadas dias depois das vendas, fora de ordem
No custo médio, vendas saem com média antiga; no PEPS, a fila de lotes se desorganiza
Primeira açãoLançar a entrada no recebimento e investigar notas pendentes no fechamento da semanaMétodo trocado no meio do ano por decisão da loja
O resultado deixa de ser comparável entre períodos e a contabilidade precisa reconstruir o histórico
Primeira açãoNão trocar método sem decisão formal da contabilidade e registro da data de mudançaBonificação lançada como compra comum ou ignorada
O saldo ou o custo ficam diferentes do que foi realmente recebido e cobrado
Primeira açãoIdentificar os itens bonificados na nota e seguir a orientação da contabilidade para o tratamentoInformações para reunir antes de revisar o custo com a contabilidade
Use esta lista para preparar a conversa com o escritório. Ela vale para escolher o método, para revisar um custo que parece errado e para preparar o fechamento.
| Informação a separar | Para que ela serve na conferência |
|---|---|
| XMLs das NF-e de compra do período | Ver quantidades, valores, descontos e tributos efetivamente recebidos |
| Documentos de frete e despesas acessórias | Avaliar o que integra o custo de aquisição |
| Regime tributário da empresa | Orientar o tratamento dos tributos recuperáveis e o efeito do custo na apuração |
| Método de custo hoje usado, mesmo que informal | Comparar a prática da loja com o que a contabilidade validar |
| Unidades de compra e de venda de cada produto | Encontrar conversões erradas entre caixa, pacote e unidade |
| Bonificações, brindes e acordos com fornecedores | Definir o tratamento das unidades recebidas sem cobrança |
| Notas de devolução ao fornecedor | Retirar do saldo e do custo o que voltou |
| Resultado da última contagem de estoque | Comparar o saldo físico com o registrado antes de discutir custo |
| Data em que cada regra passou a valer | Manter o histórico para comparar períodos e responder a consultas futuras |
Como organizar essa rotina na Nox
O ERP da Nox não escolhe o método de custo: ele registra as entradas e mantém custo e estoque ligados à operação, conforme a regra definida com a contabilidade. A sequência abaixo descreve o processo em texto; o que depende de configuração está indicado em cada etapa.
- Definir a regra com a contabilidadeAntes de qualquer lançamento, a loja leva à contabilidade o checklist acima e recebe por escrito o método de custo e o critério para frete, bonificação e tributos.Depende de configuração: A forma como essa regra é aplicada no sistema é definida na implantação e deve ser vista na demonstração.
- Conferir o cadastro do produtoA equipe revisa o cadastro com os campos fiscais (NCM, CEST, CFOP, CST/CSOSN e origem) e confere a unidade de medida usada na compra e na venda.
- Dar entrada pela NF-eA compra é lançada a partir do XML da NF-e, que atualiza o custo e o estoque do produto. A equipe confere quantidade, unidade e itens bonificados antes de concluir a entrada.Depende de configuração: O critério usado para atualizar o custo e o tratamento de frete em documento separado dependem da configuração definida na implantação.
- Contar e compararCom o inventário do sistema, a loja conta o estoque, por categoria ou por produto, e compara o saldo físico com o registrado antes do fechamento.
- Acompanhar e entregarA gestão consulta os indicadores por período, produto e seção para ver como o custo evolui, e a contabilidade recebe as informações que saem do próprio movimento da empresa, sem redigitação.Depende de configuração: O formato da entrega para o escritório é combinado na implantação.
O sistema registra entradas, atualiza custo e estoque e organiza as informações para a gestão e a contabilidade. Ele não decide qual método a empresa adota, não define o que entra no custo de aquisição e não substitui a validação do estoque no fechamento. A qualidade do custo depende das entradas lançadas em dia, das conversões de unidade conferidas e da orientação da contabilidade. Nenhum sistema elimina erro de lançamento sozinho.
Solicite uma demonstração da Nox voltada à entrada de mercadorias pelo XML, à atualização de custo e estoque e à organização das informações para a contabilidade.
Solicitar demonstraçãoVeja como as entradas, o custo e o estoque ficam registrados e quais informações podem ser organizadas para a conferência do escritório.
Avaliar o fluxo com a NoxPerguntas complementares
Posso usar o UEPS na minha loja?
Para a escrituração e para fins fiscais, não. A legislação do Imposto de Renda admite o custo médio ou o custo das aquisições mais recentes (PEPS) na avaliação do estoque, e a Receita não aceita o UEPS desde o Parecer Normativo CST nº 6/1979. A norma contábil de estoques (CPC 16) também não o permite. Uma análise gerencial interna pode simular cenários, mas isso deve ser combinado com a contabilidade para não se misturar com os números oficiais.
Custo médio ou PEPS: qual é o certo para o comércio?
Os dois são aceitos. A escolha depende da operação, do tipo de mercadoria e de como a empresa controla lotes. Produtos com validade ou lote costumam pedir controle físico na ordem de chegada, mas isso não define sozinho o método contábil. A decisão é da contabilidade.
O preço da última nota serve para formar o preço de venda?
Serve como referência de reposição, que é uma informação útil para negociar e remarcar. Mas ele não é o custo do saldo que está na prateleira. Misturar os dois faz a análise de resultado do produto depender do momento da última compra.
O frete entra no custo da mercadoria?
Em regra, os gastos necessários para trazer a mercadoria até a loja integram o custo de aquisição, e os tributos recuperáveis ficam fora. Como isso se aplica ao frete da sua operação, inclusive quando ele vem em documento separado, deve ser confirmado com a contabilidade.
Posso trocar de método quando quiser?
Não é recomendável. A troca altera a comparação entre períodos e exige decisão formal e registro pela contabilidade. Se houver motivo para mudar, ela orienta o momento e o tratamento.
Empresa do Simples Nacional precisa se preocupar com isso?
Sim. Mesmo quando o tributo não é calculado sobre o lucro, a empresa mantém o estoque avaliado e o informa nos registros exigidos, e o custo continua sendo a base da formação de preço e da análise de resultado.
O sistema calcula o custo médio sozinho?
A entrada pelo XML atualiza custo e estoque. O critério exato aplicado nessa atualização é definido na implantação, conforme a regra validada pela contabilidade, e é um ponto para conferir na demonstração.
Próximo passo
Com o método definido e as entradas organizadas, o custo passa a sustentar duas outras decisões: o preço de venda e a leitura do resultado. Os conteúdos abaixo seguem essa sequência.
Solicitar demonstraçãoLeia a seguir
Conteúdos que respondem à próxima dúvida de quem chegou até aqui.
Fontes e referências
- Decreto-Lei nº 1.598/1977 — avaliação dos estoques
- Regulamento do Imposto de Renda — Decreto nº 9.580/2018
- Parecer Normativo CST nº 6/1979 — inadmissibilidade do UEPS
- Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) — Estoques
- Acervo Nox: nox/inventario-de-estoque.md
Conteúdo editorial produzido pela equipe da Nox a partir das normas citadas. A escolha do método de custo e a aplicação ao caso concreto devem ser validadas pela contabilidade da empresa. Publicado por Equipe Nox Tecnologia em 18 de outubro de 2026; última revisão em 18 de outubro de 2026.